Resumo dos Encontros anteriores
O I Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids ocorreu nos dias 17 e 18 de agosto de 1991, no auditório do Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) organizado pelo Grupo Pela Vidda/RJ e com o apoio da Abia (Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids). O Encontro reuniu aproximadamente 160 pessoas. Chamou-se a atenção para a importância da integração das pessoas com HIV e Aids nos projetos e programas de informação/prevenção da Aids no país. Além disso, o Encontro contribuiu para o debate nacional das questões envolvendo "a terceira epidemia", ou seja, as repercussões sociais, jurídicas e éticas provocadas pelo HIV.
O II Encontro Nacional foi realizado entre os dias 5 e 7 de setembro de 1992, na Faculdade Cândido Mendes de Ipanema/ RJ. Os objetivos naquele momento eram voltados para a mobilização nacional das entidades que trabalham com a prevenção da Aids e para a tentativa em chamar a atenção das autoridades para a epidemia. Os debates enfocaram diversas questões como: novos tratamentos, a Aids e a educação, mulheres e Aids, a epidemiologia da Aids, Aids e ativismo, Aids e ética médica, Aids e direitos, as ONGs/Aids, as campanhas de prevenção, atendimento domiciliar, entre outras. Estiveram presentes cerca de 300 pessoas.
O III Encontro Nacional foi realizado entre os dias 9 e 11 de outubro de 1993 também na Faculdade Cândido Mendes. Estiveram presente, aproximadamente, 300 pessoas. Em comparação com o ano anterior, buscou-se a ampliação da discussão política e da inserção das ONGs/Aids no cenário político mais amplo, especialmente com as mesas-redondas: "Limites e Possibilidades na Cooperação OGs/ONGs" e "A Polêmica sobre as Patentes".
Inovadora foi a experiência da "sala de conversa", um espaço aberto a todos os participantes que quisessem apresentar a ONG da qual participam ou trabalhos desenvolvidos por eles. As avaliações após o III Encontro demonstraram uma grande aceitação por esta nova atividade, que foi considerada excelente como um espaço mais informal para a troca de conhecimentos.
No último dia do evento, houve o lançamento do livro "A Aids no Mundo", organizado por Jonathan H. Mann, Daniel J. M. Tarantola e Thomas W. Netter. O livro co-editado pela Abia, IMS/Uerj e a editora Relume-Dumará, é considerado essencial para todos que desejam conhecer melhor a situação global sobre a pandemia da Aids.
O IV Encontro foi realizado em setembro de 1994 na UERJ e contou com a participação de mais ou menos 400 pessoas de todo o Brasil. Foram realizados vários painéis e mesas redondas, mas a grande importância deste Encontro foi o tom mantido pela vivência das pessoas infectadas pelo HIV e vivendo com Aids. Isto esteve caracterizado na mesa-redonda "O Viver com HIV e Aids" e na realização de dezessete oficinas (uma inovação neste Encontro), realizadas a partir das vivências e exercícios práticos que envolveram os participantes. As oficinas atenderam a demanda do ano anterior, sendo "mais práticas e menos teóricas".
Concretizou a proposta de cooperação, apoio e intercâmbio entre os participantes e as ONGs/Aids. Pela primeira vez o Encontro Nacional contou com a participação de uma representante de uma ONG estrangeira, Marie Ahouanto da Arcat/Sida, da França e dois representantes do Act Up/EUA, que participaram também da I Jornada Nacional de Vacinas Anti-HIV/Aids - idealizada e organizada pelos cinco representantes das ONGs/Aids no Comitê Nacional de Vacinas, sendo um deles do Grupo Pela Vidda. A jornada foi realizada nos dois dias que antecederam ao Encontro, no BNDES.
Outro dado importante, é que pela primeira vez foram reproduzidos os trabalhos apresentados, possibilitando a todos o acesso aos mesmos. Quanto a avaliação do Encontro, foram obtidas 75 respostas dos questionários distribuídos. Participaram do Encontro: 61 representantes de ONGs/Aids, 9 pessoas do serviço público de saúde; 2 pessoas do serviço público geral e 5 pessoas de outros órgãos (universidades ou profissionais liberais).
O V Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/Aids reuniu mais de 700 pessoas no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ entre os dias 6 e 8 de setembro de 1995, para a discussão de diversos aspectos do "Viver com HIV e Aids". Foram marcantes as discussões sobre a participação de pessoas vivendo com HIV em pesquisas e sobre a participação de soropositivos nas políticas públicas.
O Encontro contou com a participação do Sr. Nestor Arias do escritório do PNUD de Nova Iorque, que contribuiu para algumas das discussões sobre o papel político das pessoas vivendo com HIV/Aids. Foi realizado, pela primeira vez, um Fórum de assistência que apresentou o resultado de uma pesquisa sobre a situação da assistência para a Aids em diversos estados.
Mais uma vez a demanda por oficinas foi acima do número de vagas, o que confirma esse espaço como fundamental na capacitação dos ativistas e no intercâmbio de experiências. No encontro foi lançado o vídeo "Mulheres pela Vidda" valorizando a experiência de mulheres que vivem com Aids.
No VI Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e AIDS e na II Jornada Nacional de Vacinas, em outubro de 1996, participaram mais de 750 pessoas. Em virtude do inesperado número de pessoas inscritas no ano anterior, os eventos tiveram sua estrutura modificada procurando atender a diversidade do público alvo. Em virtude da limitação de vagas, foram oferecidas atividades paralelas às oficinas, que garantiram o interesse e a participação do público: os bate-bola. Foram realizados 21 painéis e 15 oficinas. Entre os painéis se destacou o sobre Redes Nacionais e Internacionais de portadores do HIV.
Pela primeira vez o Encontro foi realizado no mesmo espaço em que ficaram hospedados os convidados e participantes, o que facilitou a realização de reuniões paralelas de intercâmbio e a integração entre os participantes. Este fato também contribuiu para a logística do evento, tornando todo processo menos desgastante para os voluntários que o organizam.
A comissão organizadora do VI Encontro conseguiu suporte para trazer um grande número de participantes financiados, garantindo a diverisdade geográfica e de experiências dos participantes. Quanto ao perfil, é importante notar que houve uma participação maior de mulheres que de homens, e uma grande participação de pessoas vivendo com AIDS.
O Encontro contou com aproximadamente 100 convidados que se apresentaram em mesas, painéis, bate-bolas e oficinas. Dentre estes estavam 9 estrangeiros, o maior número em toda a história dos Encontros. Participaram da II Jornada: Seth Berkeley do IAVI (EUA) e Luiz Santiago Community Advisory Board, Project Achieve (EUA). Particparam do VI Encontro: Nestor Arias do PNUD (EUA), Wojciech Tomczynski do GNP+ (Polônia), Cindy Robins do ICW (Canadá), Carlos Maldonado da Latino Comission on AIDS (EUA), Wilma den Ujil da SAD Schorerstichting (Holanda), Kevin Swanson do projecto Open Hand (EUA) e o Professor Luc Montaigner do Instituto Pasteur (França), cuja conferência foi o ponto alto do evento.
O VII Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids aconteceu entre os dias 26 e 28 de setembro de 1997 no Hotel Glória. O evento reuniu o número inédito de 1100 participantes e contou com a presença de vários convidados internacionais: Shaun Mellors (Coordenador do GNP+ - Rede Global de Pessoas Soropositivas), Sue Newman (GNP+/ Europa), Javier Bellocq (GNP+/ Argentina), Lisa Heft (San Francisco Aids Foundation), Wilma den Uijl (SAD-Schorerstichting/ Holanda), Agop Kayayam (Unicef e Unaids), Marcia de Castro (PNUD/ EUA), Ana Maria Rosasco (Red Sida/ Peru), Rita Arauz (Laccaso/ Nicarágua).
O Encontro teve como pontos altos: a mesa redonda "Vulnerabilidade na (e da) América Latina", trazendo à tona a urgente discussão sobre a epidemia na América Latina; "O Acaso dos Casos", que levantou uma discussão ética sobre saúde reprodutiva, autonomia e direitos humanos; o Workshop sobre métodos de treinamentos interativos e a Tribuna Livre, que inaugurou uma nova dinâmica de discussão onde a participação da platéia foi fundamental. A realização no Centro de Convenções do Hotel Glória garantiu a infra-estrutura necessária para o rico intercâmbio de experiências que se deu durante os três dias do Encontro.